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Em um mundo cheio de metades, precisa-se de quem seja inteiro

By 22/04/2018 Reflexão No Comments
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Caminhando cedo com o outono dando as boas vindas, pensando em 1 milhão de coisas para agendar para essa semana, me deparei com um pensamento: como conseguimos dar conta de tanta coisa para fazer? Qual a qualidade desse tempo empregado em todas essas coisas?

Fiquei pensando em tudo que tenho para fazer e no quanto eu me dou para cada coisa, e sabe o que fui descobrindo? Muito pouco. Estamos vivendo de metades, estamos oferecendo cada vez menos de nós a tudo que nos empenhamos a fazer.

Lembro de um tempo em que as pessoas se dedicavam ao trabalho, na mesma proporção que se dedicavam a arrumar as coisas para pescar no final de semana. Era tão sagrado o trabalho que trazia o pão de cada dia, quanto o tempo com a família e com os amigos. Culpamos a falta de tempo, mas acredito que o tempo não tenha muito a ver com isso.

Há 30 anos, o dia tinha 24 horas e hoje ele continua tendo 24 horas. O que mudou? Nós mudamos, fomos deixando as coisas para depois e esse depois não chega nunca quando aquilo não está como prioridade em nossa agenda.

Quantas vezes mandamos uma mensagem no whatsapp assim: Qualquer hora passo aí pra gente tomar um café! Esse qualquer hora deveria ser traduzido assim: – desculpa, mas você não está na minha lista de prioridades no momento. Da próxima vez que for atualizá-la vou ver se encaixo você e tomamos um café. Duro né? Mas é isso que aquela frase provavelmente quer dizer.

Quem quer realmente fazer algo, liga e diz: Tô passando aí pra gente tomar um café! E passa e toma, conversa, ri e aproveita o tempo juntos. Entendeu a diferença?

Hoje, sair para pescar tem sido artigo de luxo (não que eu goste de pescar, sinceramente nunca pesquei..rs..), na verdade quero dizer que sair da loucura que tem sido nosso dia a dia, tem sido um luxo para poucos. Aqui no meio das montanhas, apesar de termos muitas coisas que nos ajudam a não sermos estressados, temos que lutar contra essa tecnologia que nos engole todos os dias.

Essa sensação de estar a poucas teclas de um mundo tão imenso e mágico, realmente me fascina e às vezes me rouba de muitas coisas. Aí você pode pensar: – “aaahh pára, né!! Você não tem do que reclamar, você vai e volta a pé para o serviço, você vai almoçar em casa, você tem tranqüilidade para fazer muitas coisas, mas aqui nos grandes centros não temos tempo para nada, nada mesmo, nem para a gente.” Está muito enganada(o)!!! Realmente faço tudo isso, mas a falta de tempo está mesmo acabando com a gente seja aí na cidade grande, seja aqui no interior e sabe quem está roubando esse tempo de nós? Nossas escolhas.

Passamos de 8 a 10 horas trabalhando. Se você gosta do que faz deve se doar mais ou menos uns 50%, se tem família (filhos, marido, cachorro, papagaio e periquito) a conta “deve” ficar assim: 20% filhos, 15% casa, 10% marido e 5% para o que for mais necessário (saúde, familiares e amigos). Essa tem sido aproximadamente a conta. Se você é solteiro, provavelmente você vai dar ao trabalho uns 70%, estudos mais 20% e para o resto 10% (saúde, familiares e amigos). Vamos nos fatiando vamos aos poucos, empobrecendo esse tempo de estar com o outro, porque quando chegamos a dar 10%, não damos mais nada de nós. Damos o que sobra e que sobra é cansaço.

É um mundo de gente se doando pouco e com má qualidade a tudo que faz e nem percebe, só percebe quando o emprego vai embora, quando o namorado(a) segue seu caminho, quando os amigos cansam de sair com aquela pessoa apática grudada no celular.

Mineiramente falando, como é bom quando a gente encontra alguém que é inteiro com a gente, que se desliga do celular e do trabalho e está ali com você. Você ri, conversa e se abre. Aquele momento é de vocês. Eu sei que isso é um grande desafio. Digo isso por mim, mas precisamos nos esforçar para sermos inteiros onde quer que estejamos. Você pode-me dizer: mas como sermos 100% em tudo?

Na verdade ser 100% é “estar” o máximo que conseguimos estar onde estamos, é estar no trabalho por inteiro, é “estar” com os filhos (assistindo The Flash) sem o celular vibrando, é “estar” com os amigos sem pensar nos prazos que estão pra vencer, sem lembrar que o tem pra fazer na segunda de manhã, é viver o momento por inteiro sem interrupções.

Não se esqueça de que as 24 horas são as mesmas, fomos nós que mudamos, e se mudamos, podemos mudar de novo e quantas vezes forem necessárias para sermos inteiros e coerentes com o que desejamos da vida e dos outros.

Porque no fundo, sempre desejamos que os outros sejam inteiros conosco; seja como profissional, seja como amigo ou como parceiro, mas de nada adianta esperar que os outros sejam se nós não somos. O mundo está cheio de pessoas sendo metades na vida, mas esse mesmo mundo procura é por aqueles que sejam inteiros.

Um Grande Abraço!

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